
Agora esqueçam os outros fatores e foquem nesse último. É o que todos estão fazendo. Só se fala nisso: ‘o Fenômeno voltou’. Na verdade voltou mesmo no meio de semana passado, num desses jogos ‘Davi versus Golias’, comuns na Copa do Brasil. Só que não fez muita coisa. Mas hoje ele fez. E como sempre fazia, voltou hoje.
Jogou meia horinha. No primeiro lance, um chutaço no travessão. Na diagonal, de longe. Quase gol. No segundo, deixa o marcador para trás e cruza, certeiro: outro lá cabeceia e quase gol de novo. No terceiro, cabeçada e gol. E olha que o cara é ruim ‘de cabeça’. Toda vida foi seu calcanhar de Aquiles. Ele mesmo reconhece.
Enfim, foi uma festa só. Comemoração de título. Saiu correndo, pulou uma placa, correu mais um pouquinho, subiu no alambrado, abraçou a galera, quebrou o alambrado, desceu ofegante.
É estranho. Sua fisionomia lembra a do típico coroa peladeiro. Aquele que todo final de semana joga uma bolinha com os amigos pensando na cerveja do ‘pós-baba’. Cada passada é uma tortura. Uns 50 metros de corrida e parece que vai ter um infarto. Parece que está na altitude de La Paz.
Ainda assim Ronaldo é diferenciado. Não tem como negar. Provou isso mais uma vez. Se não tem mais a mesma velocidade, ganha no porte físico. Vai trombando e levando. Ninguém segura.
Muita gente nem ‘botava fé’. Talvez só os corintianos e seus familiares botassem. Eu mesmo achava que não daria certo. ‘Puro marketing’, pensava. Não penso mais.
Foto: Robson Fernandjes/AE