domingo, 22 de fevereiro de 2009

Futebolês virtual


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Má é apenas mais um dos milhões de garotos brasileiros viciados em futebol virtual. Como muitos nessa turma toda, gosta mas não joga bem. Esforçado, pratica muito e ainda assim é ‘ruim demais’. Sem talento, não nasceu para a coisa. Quem assiste às suas partidas sempre torce por ele. Queira ou não é do ser humano pender para as minorias, defender (ou torcer para) os mais fracos.

Aos sábados e domingos é fácil encontrar Má jogando na casa de fulano de tal (o dono do videogame ou alguém que pegou emprestado). Nos dias ‘úteis’ ele também dá um jeito. Pintou um horário vago na escola, vai para a ‘locadora’. Se não pintou, mata a aula e vai do mesmo jeito. Faz tudo isso mas não é bom no jogo. Nem razoável, é ruim mesmo.

Não à toa Má sempre é o alvo das gozações. Jogar contra ele é o mesmo que ‘cumprir tabela’, ir lá ‘buscar os três pontos’. No futebol real seria inevitável escalar o time reserva se poupando para os jogos que interessam de verdade. Só há um único jeito de tornar o jogo contra Má interessante: entrar na disputa pra ver quem ‘ganha de mais’ (quem faz mais gols nele). De repente o saldo pode contar na hora do desempate.

Má é ‘freguês’ de todos. ‘Lanterninha’ continuamente. Sua alegria é jogar contra ‘o computador’ no nível mais fácil. Aí ele deita e rola.

Mas redenção mesmo vem quando a vitória é contra um dos ‘amigos-rivais’. De preferência contra aquele figura que cansa de ‘mangar de sua cara’ – porque sempre tem o que ganha e fica quieto e o que ganha e enche o saco. Aí Má também não perde a oportunidade de ‘tirar sua onda’. É hora de ‘perturbar’, ‘pirraçar’, ‘fazer pegar A’.

“Ah, a que vale é a última”, não cansa de dizer. Difícil mesmo é conseguir enfrentá-lo mais uma vez. Para Má se a que vale é a última, então que a última seja a última mesmo. Desculpas e mais desculpas antes de uma nova partida. Assim ele pode se vangloriar por um bom tempo sem arriscar um novo revés – que ele sabe que virá caso torne a jogar.

O grande problema (dos outros) é que para ter alguma chance nas partidas Má encontrou a solução: dar carrinho sem parar. “Pelo menos segura o jogo, arranca um empate”. Melhor que isso, “de repente até dá ‘uma cagada’ e faz um golzinho no contra-ataque”.

Desde então jogar contra Má é sinônimo de ‘barriação’. A partida começa e é carrinho de todo tipo. Pontapé inicial, carrinho. Bola pro alto, carrinho. Jogador adversário dominou a bola, carrinho. Bola em disputa, carrinho. Vai sofrer o gol, carrinho, empurrão, aperta tudo quanto é botão.

Se o outro ‘não se agüenta’ o jeito é xingar (geralmente a mãe) ou questionar a opção sexual (“Cê é ‘viado’ é Má?”) – mesmo ciente de que nada tem a ver uma coisa com a outra. Se a raiva acumula e os carrinhos não param ‘lá vem bronca’. É ‘controle’ no chão, frases de baixo calão (“Vou ‘resetar’ essa porra!”) e mais todo tipo de agressão (vide vídeo).

Existem muitos ‘Más’ por aí. Não tenho dúvidas de que todos que jogam ou já jogaram (quem nunca jogou?) videogame conhecem um. Esse vídeo me fez lembrar ao menos uns três amigos que se enquadrariam facilmente no perfil do nosso herói. Não vou citar nomes...

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